terça-feira, 22 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os aspectos negativos do imediatismo e da impulsividade dependem do ponto de vista - ou da altura do tombo.

Os nossos desejos momentâneos

Coincidem muitas vezes, com algo que no futuro desprezaríamos se tivéssemos.




Querer muito não é o bastante, a questão é; você ficaria se tivesse?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que é mais chocante que a verdade, são as mentiras que são inventadas para encobri-la.
Mas a pior coisa sobre a verdade é quando você descobre que ela não vai te libertar, vai te trancar para sempre.

Filho do Vento




O Vento que corria solto, viu-se frágil frente a Paixão. A Paixão, bem mais sábia, levou o Vento pra onde quis. Seduzível como era o Vento deixou-se cegar pelo fascínio. Mal sabia ele que era apenas uma faísca - a Paixão gostava de colecionar amores e cumpria sua tarefa com exímio.
Enfurecido ao descobrir que fora enganado, o Vento pôs-se a perseguir a Paixão, a ladra que roubou teu coração. Sua ira fez logo apagar aquela faísca e quando a tempestade se afastou ele pode ver o fruto que havia plantado em sua amante. Ainda irado, soprou pra longe a Paixão com sua semente.
O Tempo foi quem a encontrou e bem mais sábio que o Vento, a trancou e só a soltou quando trouxe ao mundo o filho do Vento.
- Vá agora, livre e leviana Paixão. Vá buscar outro amor, tomar pra ti outro coração.
E a paixão seguiu então, deixando solto no mundo o filho do Vento.
O filho do Vento, por herança receberá os dons de sua mãe. Sabia seduzir como ninguém um coração e suas palavras tinham mais poder do que qualquer furacão. Do vento herdara a liberdade, e com o Tempo aprendera toda a verdade.
- Vá agora, filho do Vento. Desça a Terra e não perca Tempo. Já há alguém pra atravessar teu caminho, confio em ti para passar meus ensinamentos. Apenas cumpra sua tarefa e não ficará sozinho.
E foi em forma humana que o Tempo o lançou a Terra. A beleza de sua mãe e a graça de seu pai conquistavam os olhares por onde passava. Mas já haviam olhos que esperavam por ele - sem saber - e em breve aquele rosto seria a primeira visão de todas as manhãs que iria desejar ter.
O filho do Vento voava como seu pensamento, e ao contrário de como guardava a ti mesmo seu pensamento espalhava suas belas palavras a quem lhe interessava. Estendeu seu caminho mais do que deveria e o Tempo, que só observava desapontado, mudou o trajeto do filho do Vento. Encurtou as horas dos dias e os dias das semanas, e em uma noite fria e nublada em meio a uma festa que não parecia comemorar nada, uniu dois caminhos para uma mesma direção e lhe mandou um aviso.
- Já é mais do que tempo de cumprir tua missão.
O filho do Vento fez o que sabia fazer bem a sua mãe; roubou um jovem coração que nada havia provado do amor - sequer havia sentido alguma dor.
E então, ele tratou de lhe mostrar o sabor dos sentimentos que ela não conhecia. Mas junto, ele que não queria provar do próprio veneno, sentiu seu coração ser tomado por inteiro.
O filho do Vento então se apaixonou. Só não decepcionou sua mãe porque ela estava muito ocupada decepcionando e desolando outros corações. E seu pai, o Vento, nem mesmo passava por ele. Sobrava a quem olhar por ele o Tempo. Mas esse não se decepcionara; mandara a Terra o filho do Vento em forma humana, para que ele também pudesse provar do sabor da Vida. Ele dizia:
- Os humanos jamais aprenderão pelas palavras sem provar o sal das lágrimas. Em breve, tudo se encaixará.
O Tempo, o maior sábio não podia estar errado; mas era assim que o filho do Vento o via. Questionava os erros cometidos e lamentava pelo tempo perdido.
- Que aprendizado se tem, quando dois corações se tornam quebradiços? Pra que perdi tanto tempo se agora o que ganho é apenas um coração partido?
O Tempo, paciente respondeu:
- Meu jovem, foi com um propósito que te dei um coração, e eu recomendo tê-lo menosprezado, a qualquer pessoa.
 O filho do Vento carregava o fardo dos erros de sua mãe, que como dizia o Tempo;
- Essa é um espelho quebrado, sem conserto. Seus pedaços caíram pela Terra e ela vive a procurar. Essa é sua desculpa por viver a tantos corações atormentar.
Carregava também o peso do egoísmo de seu pai.
- O Vento é um pretensioso arrogante; se preocupa apenas em preservar sua liberdade e quando zangado destrói tudo o que vê pela frente.
O filho do Vento calejado, até os ossos, decidiu desviar-se do caminho que o Tempo o havia colocado. A vida que caminhava contigo lado a lado, perdeu a cor e aprendeu tudo sobre a dor; mas perdeu o amor.
- Agora nossos passos estão longe um do outro e eu cai. Cai para onde nem lembro mais como é, eu cai para a vida sem você, pra lembrar-se de quem eu era antes de te ter.
O Tempo que nem sempre era bondoso, estendeu as horas de seus dias e os dias de suas semanas, o vazio a preenchia e não sobrava espaço para mais nada. Viveu a pensar em como era estranho aquela coisa de imaginar mil coisas e nunca tirar uma da cabeça. Mas vivia agora com uma certeza.
- Eu fui condenada pelo Tempo.
No escuro da solidão ficou e o filho do Vento foi levando seus passos para outra direção. Não esperou o Tempo e fez seu próprio caminho. Atravessou a rua, pôs a frente um escudo e cantou um novo amor - Agora ele procurava desaprender a sentir a dor.