domingo, 21 de novembro de 2010

Poena par Sapientia





- Nina, acorda. É o seu aniversário e você tem visita.
Ao lado da cama lá estão seus cachos soltos e avermelhados, flores do campo sobre o criado-mudo e um cartão na mão. Eu mal podia entender o que estava escrito, o sol que passava pelos vidros da janela e invadia o quarto deixara as letras quase ilegíveis. Me sentei na cama e pude ler: "Qual seria a sua idade, se você não soubesse quanto anos tem?" Como se não fosse o bastante a demência em que me encontrava ela ainda me trazia um cartão de um filósofo chamado Confúcio. Bem de seu feitio mesmo. Sorri ao olhar para seu rosto assustado como se visse um doente em estado terminal. Me observava calada com um olhar de piedade que eu detestava, mas estava ali. Era a única que estava.

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