Tinha os olhos de noite mal durmida,
E as unhas dos dedos compridas,
Que arranhavam a morada da voz reprimida,
E que sem gaguejar repetia:
- Ela é uma vadia, ela é uma vadia.
Vejam só meu povo; ela é uma vadia!
Noite e dia,
Na sala ou na cozinha.
Era sem pensar que ela dizia,
E sem preconceitos se oferecia,
Como canapé, prato principal ou sobremesa de cortesia.
Não ligava pros requintes da burguesia,
Vestia apenas transparência e renda fina.
Eu me lembro que ela era a única menina,
Que passava na rua e a todos enlouquecia.
Enquanto desfilava suas pernas compridas
E o povo gritava:
- Ela é uma vadia, ela é uma vadia.
Vejam só meu povo!
E ela só sorria.

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