Andar na chuva desacompanhada, com espaço entre os dedos e a mente vaga é uma tarefa árdua quando se deseja um porto.
Um porto de segurança, um ponto de brandura, um pouco de esperança.
Mas os passos ficam pesados a cada tentativa de sair um pouco do chão, e qualquer ponto de emoção não é o bastante quando o que se precisa é de um par de asas, e se tem aos pés uma bola de ferro atada a um grilhão.
Gotas caem sobre o meu rosto como estilhaços de balas atiradas ao vento, balas certeiras que me destroem por dentro. Sinto escorrer pelo tempo o gosto amargo de outro momento. Os meus sentimentos escorrem aos litros tão vãos e passageiros como a rotineira órbita dos ponteiros. A confusão da chuva e minhas lágrimas me impedem, como os prisioneiros são impedidos de ver, as estrelas que desenham no céu a beleza, que distanciam todo o fel.
Mas se eu pudesse ver, eu certamente faria um pedido aqui e agora.
“Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars, I could really use a wish right now, a wish right now, a wish right now…”

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